COMO O ANJO DA GUARDA NOS AJUDA NA LUTA CONTRA O PECADO

 


Desde os primórdios da criação, Deus, em Sua infinita sabedoria e bondade, designou os anjos como mensageiros e guardiões da ordem sobrenatural. Dentre esses espíritos celestiais, os Anjos da Guarda ocupam um lugar singular na economia da salvação, pois são enviados para acompanhar cada alma humana em sua peregrinação terrena rumo à eternidade. A Tradição da Igreja, enraizada nas Escrituras e confirmada pelos Santos Padres, ensina-nos que esses anjos não são meros espectadores, mas guias ativos na luta contra o pecado, auxiliando-nos a resistir às tentações e a buscar a conversão contínua.
A Presença Silenciosa do Anjo da Guarda

“Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir em favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1,14). Esta passagem da Epístola aos Hebreus revela a missão dos anjos como servos de Deus a nosso favor. O Catecismo da Igreja Católica (n. 336) reafirma que, desde o nascimento até a morte, cada fiel é confiado a um Anjo da Guarda, cuja presença é ao mesmo tempo discreta e poderosa. Ele não interfere em nossa liberdade, pois Deus nos criou livres para amar e escolher, mas sussurra à nossa consciência, orientando-nos ao bem e afastando-nos das ciladas do Maligno.

São Bernardo de Claraval, em seus sermões, chama os anjos de “custódios da nossa fraqueza”. Eles conhecem a fragilidade da natureza humana, ferida pelo pecado original, e intercedem por nós diante do trono de Deus. Quantas vezes, em momentos de tentação, sentimos um impulso interior para resistir ao mal? Quantas vezes, após uma queda, somos movidos ao arrependimento e à confissão? Essa ação sutil, mas eficaz, é frequentemente o trabalho do nosso Anjo da Guarda, que nos guia como um pastor guia suas ovelhas ao aprisco.
O Combate contra as Tentações

O mundo em que vivemos é um campo de batalha espiritual. São Pedro nos adverte: “Sede sóbrios e vigilantes, porque o vosso adversário, o diabo, anda em derredor, como leão que ruge, procurando a quem devorar” (1Pd 5,8). Neste combate, o Anjo da Guarda é nosso aliado sobrenatural. Ele não apenas nos defende dos ataques do inimigo, mas também nos ilumina para reconhecer as tentações disfarçadas de prazeres ou justificativas mundanas.

Tomemos como exemplo a vida dos santos. Santa Teresa de Ávila, doutora da Igreja, relata em sua autobiografia que, em meio às suas lutas espirituais, sentia a presença protetora de seu Anjo da Guarda, que a ajudava a discernir entre as inspirações divinas e as sugestões do demônio. Da mesma forma, São João Bosco, grande apóstolo da juventude, ensinava seus alunos a invocar seus anjos custódios nos momentos de perigo moral, confiando que eles os livrariam das ocasiões de pecado.

A tentação, por sua natureza, é sedutora e enganadora. O Anjo da Guarda, porém, com sua visão espiritual, percebe o que nossos olhos carnais não veem. Ele nos adverte, por meio de inspirações, sonhos ou até mesmo circunstâncias providenciais, para que evitemos o caminho da ruína. Cabe a nós, contudo, ouvir sua voz e cooperar com sua graça, pois, como ensina Santo Tomás de Aquino, os anjos movem nossa vontade ao bem sem jamais violentá-la.
O Caminho da Conversão

Se, por fraqueza, caímos em pecado, o papel do Anjo da Guarda não cessa. Ele se torna então um consolador e um guia rumo à reconciliação. O livro de Tobias nos oferece um reflexo dessa verdade: o arcanjo Rafael, sob a aparência de um companheiro humano, conduz Tobias Filho por uma jornada de perigos e provações até a restauração de sua família (Tb 5-12). Assim também nosso Anjo da Guarda nos acompanha ao confessionário, onde o Sangue de Cristo lava nossas culpas, e nos ajuda a retomar o caminho da santidade.

A conversão não é um evento isolado, mas um processo contínuo. O Anjo da Guarda nos exorta a perseverar, a retomar a oração negligenciada, a mortificar os sentidos e a abraçar a cruz de cada dia. Ele é, em certo sentido, um reflexo da paciência divina, nunca se cansando de nos chamar de volta ao coração de Nosso Senhor.
Uma Devoção Necessária

Diante de tão grande dom, a Igreja sempre incentivou a piedade para com os Anjos da Guarda. A festa litúrgica de 2 de outubro, estabelecida pelo Papa Clemente X em 1670, é um convite a honrá-los e a invocá-los. A oração tradicional — “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, pois que a ti me confiou a piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina” — deve ser um refrão constante em nossos lábios.

Nesta era de confusão moral e espiritual, quando o pecado é celebrado e a virtude ridicularizada, recorramos com confiança ao nosso Anjo da Guarda. Ele é o amigo invisível que nunca nos abandona, o guerreiro celestial que luta ao nosso lado, o mestre que nos conduz à verdadeira liberdade dos filhos de Deus. Que, por sua intercessão, possamos vencer as tentações, converter-nos diariamente e, ao fim desta vida, ser conduzidos por ele à glória do Paraíso.

 

Reze todo dia o Terço do Anjo da Guarda no vídeo abaixo:

https://youtu.be/w6IZ2NrIg20

 

Reze com a paróquia das igrejas domésticas.

- Terço da Misericórdia: 14:50h

- Liturgia das Horas: 6h - 12h - 18h - 21:30h

- Exorcismo de São Miguel: 3h e 6:30h

- Terço da Sagrada Face: meia-noite

- Terços e orações: às 7h e 21h

Canal no youtube: www.capeladasagradaface.com.br

Paróquia Sagrada Face de Tours: o dia todo rezando com você

Uma paróquia de leigos para leigos, criada por Nosso Senhor.

Prof. Emílio Carlos

Pároco Leigo



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